De Profundis

De Profundis

Ao caminhar pela praia de Cavaleiros em Macaé, entrei num pequeno Bar.

Bar do Farol… Sentei-me para tomar umas cervejas na calçada, de onde avistava o Farol da ilha de Santana e o mar mexido logo à frente.

Nesse Bar se pode ter uma vasta visão do horizonte, apesar de uma hora noturna.

Da calçada para o mar a vastidão, a maresia, a noite; da calçada para dentro do Bar, os livros, os vídeos, os filmes em DVD’s…

Nesse acervo, encontra-se obras interessantes e inusitadas para uma cidade balneária. Cidade que possui apenas três cinemas, dois teatros, e nenhuma biblioteca. Macaé, cidade do petróleo…

Após beber umas cervejas e alucinar sob a força das marés, do Farol giratório, da maresia, do vento, das luzes e dos pensamentos que oscilavam da exaltação aos melancólicos devaneios…, entrei enfim no Bar para urinar, como é comum aos cervejeiros inveterados – invertebrados. No acervo do segundo andar, fui contido pelas prateleiras que enfileiravam livros e filmes. Até que encontrei The New Golden Bough numa edição estadunidense de 1964! Comprei o livro e do dono ouvi uma história fascinante.

Ano passado, 2013, passou pela cidade um rapaz estudante de doutorado em Literatura de Londres. Por acaso ele entrou no Bar e subiu para o banheiro, ocasião que deu de cara com o tal acervo de livros e filmes. Vasculhou e de repente encontrou uma edição rara do De Profundis de Oscar Wilde. Ficou fascinado, pois a edição era especial, com capa de couro e letras em relevos, folhas de papel Bíblia, marcador de fita de seda, uma beleza. O dono do Bar cobrou 80 reais pelo livro, marcado numa etiqueta velha. O rapaz não acreditou: 80 reais! Disse em português, com sotaque inglês, ao dono do Bar: – Sabe que esse livro para u colecionador pode ser vendido por 200 libras?! Você poderia ganhar muito com esse exemplar…

O dono do Bar apenas disse: – Está nesse preço justamente para aqueles que se interessam pela obra, pois aqui ninguém até hoje quis adquiri-lo. Aí, em cima, tem preciosidades que são raras e basta garimpar para encontrar muitas joias…

Assim o doutorando caiu em choro emocionado pelo achado e embebedou-se, gastando muitos e muitos reais em álcool e comidas.

E Macaé é assim, cidade onde se esconde o ouro preto, sob camadas de oceano Atlântico profundo.

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Heteronomia hegemônica…

Heteronomia

Sob a força da heteronomia observamos fortes bloqueios no avanço do esclarecimento na nossa sociedade. Possuímos na atualidade instrumentos extraordinários de difusão e propagação de novas ideias e conhecimentos. Todavia, a barreira para a apreensão subjetiva desses novos conhecimentos se funda em estruturas de sentimento de alicerce profundo, fincado nas vibras de nosso ser. Nossa condição contemporânea esbarra num paradoxo acachapante. Convivemos com uma abertura de possibilidades de multiplicação das formas de ser, pensar e agir, sem precedentes na história humana. Muito embora essa seja uma época de extraordinária expansão do conhecimento, nos deparamos com obstáculos epistemológicos, acoplados a estruturas subjetivas reativas e estanques, de grande espessura. Tal constatação pode ser ilustrada com as atitudes corriqueiras, observadas especialmente em salas de aula, exposições, cursos, palestras, etc.: a apatia e indiferença dos assistentes. Essa atitude passiva, conformista, alheia e desafetada, representa um impacto chocante. “Eu não quero saber disso!”… Pode ser que estejamos presenciando um tipo de reação blasé aos excessos e transbordamentos das informações e conhecimentos difundidos e propagados na sociedade atual. Excesso que provoca um embotamento dos sentidos, como apontava G. Simmel (1903). Jovens que se prostram em posições de indiferença e apatia contumaz, e não aceitam o convide de pensar e refletir. Algo como uma dor do ser expele a aversão ao que possa vir abalar algum conforto existencial que por ventura alguma convicção frágil ainda assegure. De algum modo a ilusão do acolhimento e da segurança sustenta a aversão ao jogo do conhecimento, aos seus riscos e vertigens. “Isso não me interessa!”… Apesar da força dessa hipótese do estresse disseminado, ou da depressão disseminada, parece que se pode arriscar a constatação de que o projeto de autonomização entrou em colapso. Tipos antropológicos emergiram na cena pública e social, em que a aversão à autonomia, à liberdade e à independência se tornou a regra. A proliferação de replicantes androides com perfil de zumbis, dominados pela heteronomia, estabeleceu um muro poderoso e resistente. Uma parede em que a palavra reflexiva não reverbera. Desse modo parece ter razão Castoriadis… A heteronomia é hegemônica, e entramos numa nova era de indiferença e conformismo. O projeto autonomista sofre abalo sem precedente, na alta fase da modernidade tardia.

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O mundo é pequeno?

Comumente se exclama com exaltação uma expressão corriqueira: como o mundo é pequeno! Especialmente quando encontramos com alguém conhecido, num lugar não previsto; um encontro casual e inesperado. Num passeio turístico, numa viagem de negócios, estudo, pesquisa, etc. Contudo, se pensarmos um pouquinho, o que parecia ser uma coincidência inesperada, um acaso surpreendente, é a revelação de um dado concreto: nosso universo de relações não é tão vasto. Especialmente em nosso país, onde a desigualdade ainda é um fato real e predominante. Olhando por este prisma, podemos mudar nossa exclamação: como a classe dominante é pequena!

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CRISOL Pesquisas em Estudos Culturais

PROJETO HUMANIDADES

II FÓRUM EM HUMANIDADES

02 à 04 de Dezembro de 2014

NUPEM UFRJ Macaé

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